God of War - Ascension

Desde o lançamento do título original, para a Playstation 2, em 1995, God of War ganhou um estatuto culto entre muitos jogadores, não sendo de estranhar as sequelas lançadas nas consolas caseiras da Sony, bem como as histórias paralelas que lhes seguiram, para complementar a história deste anti-herói, nas consolas portáteis da companhia, sendo provavelmente o franchise atualmente mais bem sucedido da Sony, e Kratos, no presente, o personagem mais icónico da companhia.
Após o sucesso de God of War III, para a Playstation 3, que é sem dúvida um dos jogos tecnicamente mais bem conseguido do sistema, era de esperar que Kratos tivesse um novo título no fim de vida deste ciclo na consola mãe da Sony, à semelhança do que aconteceu na PS2. O estranho, foi a Sony ter optado por lançar, pela primeira vez de raiz, numa consola doméstica da companhia, uma história alternativa, que funciona sob a forma de prelúdio à principal, que é mais uma introdução e não uma verdadeira sequela à triologia original da série. 

História:

Quando Kratos já confrontou os mais influentes deuses do Olimpo, debateu-se contra os poderosos Titãs, não é de estranhar que a Santa Monica Studio, optasse por tentar humanizar mais a personalidade unilateral de Kratos, levando o jogador a revisitar o passado deste, no confronto com entidades mais desconhecidas da mitologia grega. Isto leva a uma história menos épica e empolgante aos olhos do jogador.
A história de God of War: Ascension é a primeira na linha cronológica da série, e remete-nos a  um ponto do passado de Kratos em que era um mero mortal, tendo quebrado o pacto que fez com o Deus da guerra, Ares, após a sua alma ter começado a ser fustigada pelos tormentos de ter morto a sua família, a mando do Deus. É aqui que entra em cena as Erínias, as guardiãs da honra e as executoras da punição. Estas entidades não se submetem a ninguém, e como Kratos rompeu o pacto de sangue com o Deus da Guerra, o dever destas é capturá-lo e torturá-lo até aos confins dos seus dias.
Este é o começo da história, que alterna entre o presente, após Kratos tentar se libertar das Erínias, e o passado, que levou à sua captura.
A história em si não é ruim, mas falta aquela intensidade épica registada no anterior título da série.

Gráficos:

Graficamente o jogo é magistral, e faz jus aos títulos anteriores como sendo o franchise que melhor espreme as capacidades da consola da Sony. Os cenários são deslumbrantes, com uma profundidade inigualável no que toca à minuciosidade para o detalhe, quer ao longe, quer ao perto. É possível esventrarmos adversários e fazê-los jorrar sangue, ainda com mais detalhe que nos anteriores títulos da série.
God of War: Ascension é daqueles títulos que servem para mostrar que realmente existe diferença entre o motor gráfico da 360 para a PS3. Com animações de luxo, texturas de elevada qualidade e efeitos de luz muito bem elaborados, este título é provavelmente dos poucos que consegue dar uso conveniente à arquitetura cell.

O único senão que encontramos na mecânica gráfica, é que os criadores quiseram dar uma sensação de grandiosidade megalómana ao cenário, colocando por vezes a câmara de jogo de tal maneira longe do plano da ação, devido devido à mesma ser fixa e não controlável, que a sensação que nos dá, é que por vezes somos formigas a lutar, sem que realmente percebamos o que se passa à nossa volta devido à pequenez do nosso personagem, bem como dos seus inimigos.

Som:

A nível sonoro God Of War: Ascension não dececiona, estando ao nível dos outros da série, com diversos temas clássicos reciclados para o jogo em questão. As músicas são épicas, os corais de vozes incutem uma intensidade vibrante para o jogador, mas apesar da mestria das composições, estas parecem carecer um pouco de falta de originalidade a nível de arranjos, face ao que foi conseguido no passado. Os efeitos sonoros também são e foram brilhantemente criados, desde o sibilar prolongado do bater das armas, ao esventrar dos oponentes, culminado com a queda das tripas destes no chão. Tudo parece estar pensado ao pormenor, para deleite do jogador.
Outro ponto elevado neste segmento são as vozes, que são de qualidade elevada, falo particularmente da língua original. Já a tradução na língua lusitana, prende-se por um trabalho cuidado e bem conseguido, mas não perfeito. Continuo a achar que Kratos merecia uma voz mais poderosa, mas não deixa de ser uma dobragem que passa com distinção.



02 Maio 2013 | Archeogamer
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